Egocentrismo, narcisismo e sedução utilitária nas redes sociais

Redes sociais 1

A cada dia surgem mais interpretações sobre os reflexos das redes sociais na vida das pessoas. Já não é novidade a importância que essas plataformas de visibilidade auferiram nos últimos anos – do ponto de vista financeiro e político, do ponto de vista do comportamento privado e coletivo e esses reflexos tem sido tematizados na produção acadêmica, na roda de bar, no perímetro da cama, nos encontros com os amigos na sala de estar. O impacto sobre processos políticos, sobre formas de cooperação, o tema da privacidade, além das análises de ligações e múltiplas influências – nesse caso com interessantes abordagens matemáticas – podem ser encontradas na internet. Apesar disso, o tom geral sobre as redes tende a uma postura a-crítica muito grande. Tanto que qualquer comentário que questiona a necessidade e naturalidade das redes sociais em nossas vidas é, em geral, encarada de forma com enstranhamento. E isso mesmo vindo de professores de comunicação.

Eu tenho tentando manter uma relação mais distanciada dos mecanismos que rastreiam meu comportamento – ao menos no que me é possível. Por isso deletei minha conta no Facebook – a rede que me parece mais escrota nesse sentido – há uns seis ou sete anos. E, além disso, tenho procurado usar redes baseadas em plataformas livres, como a Diáspora. Mas mesmo aí tem sido de forma muito tímida.

A exploração e monetarização das relações, da intimidade afetiva, dos gostos, da própria vida não são novidades na história do capitalismo. Mas alcançam um nível muito assustador atualmente – basta ler os termos de uso desses serviços. E eu sou daqueles que lêem os termos do serviço. Eles me incomodam, assim como um comportamento que emerge da interação com diversos gadgets e que apontam para uma submissão da atenção à interação nessas redes. O que não é novidade. A atenção é um capital, sempre foi – e agora isso parece ser mais evidente, ou mais monetarizável individualmente.

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Uma Marianne negra no Brasil de Jean Baptiste Debret?

JEAN BAPTISTE DEBRET (1768-1848): Pano de boca executado para representação extraordinária no teatro da côrte,   por ocasião da coroação do Imperador D. Pedro I  Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin-USP

JEAN BAPTISTE DEBRET (1768-1848): Pano de boca executado para representação extraordinária no teatro da côrte, por ocasião da coroação do Imperador D. Pedro I. Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin-USP

Por Heloisa Pires Lima*

Uma das imagens que compõem o retrato social disponível na obra de Jean Baptiste Debret Voyage pittoresque et historique au Brésil ou Séjour d’un artiste français au Brésil, depuis 1816 jusqu’en 1831 inclusivement (1834-1839) será o foco deste artigo[2]. Trata-se da mulher negra na estampa 49 do terceiro volume [Figura 1]. A imagem celebra a coroação de D. Pedro I que dá continuidade ao regime monarquista na América[3].

Posicionada à esquerda do leitor da cena, a figura lembra o protótipo de Marianne, símbolo da República francesa. A associação se deve, especialmente, ao adorno de cabeça. Seria um bonnet phrygien? Na França, a peça significando liberdade foi código de adesão ao novo regime durante a Revolução (1789) e detalhe significativo na alegoria feminina. Numa perspectiva antropológica, a representação dos habitantes negros no livro referido fornece elementos para se discutir a aproximação, ou não, ao ícone francês.

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Mais um teste com novo visual

Tá sendo difícil, numa semana de entrega de roteiros encomendados, aplicação de provas e entrega de resumo de artigo pensar de forma mais organizada e sistemática no que o site vai conter. De qualquer forma tem sido interessante observar como não tenho mais saco para me afundar nas linhas do HTML e na marra fazer as modificações, como aliás eu fazia antes. Interessante porque ao mesmo tempo reconheço que isso faz parte do curso das coisas. Agora os interesses são outros e quase que naturalmente tô amarradão neles.

Pensando em inaugurar uma seção de resenhas de livros, outra sobre ciclismo (reforma e bikes antigas) e uma outra sobre SciFi. Vamos ver…