Rótulo clássico de cachaça

La mala hora

Gabriel Garcia Marquez

A morte de Gabriel Garcia Marquez me lembrou uma fase de minha infância. Naquele tempo, Arcoverde e todo o Sertão eram uma terra em que o sinal de tv chegava somente no domngo. Ao menos a tv que nos interessava, a Globo e seus desenhos Disney. O ônibus ao Recife só chegava e partia às quartas e sábados. A alternativa era viajar numa rural – um jeep Toyota adaptado a cada dois dias. Essa época ainda viu os cacheiros viajantes e foi a um desses que meu pai e minha mãe compraram a coleção completa do escritor. Aquele mundo incrível , difícil de classificar – embora tantos classificadores tenham gasto papel e tinta com isso – não assombrou meus pais e eu entendo a razão, mas isso não vem ao caso. Ler e gostar daquele mundo foi minha primeira expressão de autonomia em relação aos meus pais. Aos poucos eu deixava a barra da saia de minha mãe e a expectativa de aprovação de meu pai. A coleção, que além dos clássicos incluia ainda livros mais cursos como La mala hora, Ninguém escreve ao Coronel, A incrível e triste história da Cândida Erêndira e sua avó desalmada, os Funerais da Mamãe Grande, Crônica de uma Morte Anunciada, me cativaram desde o início. Fiquei com a coleção depois que meus pais se separaram, que nos mudamos, crescemos, morremos e nascemos várias vezes, até que hoje, por uma conjugação que me parece improvável, os livros sumiram da estante, não sei dizer direito por qual razão, nem quando, nem como, nem por mãos de quem. Será que Gabriel os levou?

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