Para se informar: coleção de posts sobre o #ocupeestelita

Começando agora uma juntada de posts que explicam, para quem ainda não vem acomoanhando o processo, a ocupação em andamento do Cais José Estelita.

Democracia viva: por que ocupar o Estelita?
Galpões destruídos só são sinônimos do atraso quando a sua destruição traduz um modo de pensar a cidade de maneira atomizada; como se fosse possível que cada construção, realizada isoladamente e com interesses distintos, pudesse, de forma espontânea, se harmonizar com o resto da cidade ou mesmo se harmonizarem entre si. O Recife é a demonstração de que isso não é possível. O caos no trânsito, a falta de saneamento, o entupimento das encanações e os esgotos que jorram a lama representam a falta de planejamento e de um crescimento absolutamente desordenado porque está entregue à iniciativa privada. Cada construção, uma estrutura autor-referente, uma muralha de concreto e um isolamento da cidade. Ilhas dentro das ilhas: mutilação. Mais.

Recife pra quem?
Na noite de ontem, a população do Recife foi surpreendida com a notícia, nas redes sociais, da demolição dos armazéns do Cais José Estelita, no centro da cidade. Esta área, de mais de 100 mil m², pertencia à Rede Ferroviária Federal e foi arrematada à União por um grupo de empresas em leilão realizado em 2008. O consórcio formado por Moura Dubeux, Queiroz Galvão e GL Empreendimentos pretende implementar um megaprojeto imobiliário na área, o chamado projeto Novo Recife, que prevê a construção de torres residenciais e comerciais, totalizando 14 prédios com cerca de 40 andares. Mais.

#OcupeEstelita, #ResisteEstelita: a (re)significação constante do Direitos Urbanos (e do Cais)
O movimento de ocupação do Cais José Estelita é um sucesso. Num lugar antes desconhecido da grande maioria, um sonho se realiza ao menos em experimento: um imenso espaço perdido há anos no discurso do abandono, uma vastidão impensada, ganha, na prática dos ocupantes de simplesmente ocupar, o sentido que ele sempre poderia ter tido: o de ser o espaço de confluência de todos os cantos da cidade ao receber, acolher e misturar as pessoas. Um lugar que antes era apenas o atrás do muro e dos galpões, o espaço abandonado, de ninguém, passa ser um experimento simbólico, mas real e palpável, do seu potencial embutido, agora ainda esgaçado pela ameaça da ganância dos interesses privados tragicamente mancomunados com o poder público. Mais

Ciclotela do Coque
O Museu da Beira da Linha do Coque foi criado pelos membros da comunidade para o acolhimento e ativação da história oral do bairro do Coque, em Recife (PE). O coração do acervo é o cadastro dos Contadores e Contadoras de Histórias do Coque e a coleção de seus depoimentos em vídeo. Nosso museu é, desde sua concepção, itinerante. Ele quer estar vivo, na rua. Para dar suporte a sua mobilidade dentro e fora do bairro, sonhamos começar com uma estrutura de fácil condução que acoplasse um sistema de projeção de imagem e som. Assim surgiu a Ciclotela do Coque, um triciclo adaptado que exibirá a história da nossa comunidade. Os 16 primeiros Contadores e Contadoras de Histórias do Coque entrevistados por Rildo Fernandes e a equipe do Museu. Mais.

Invento o cais
O cais José Estelita é um nome quase estranho pra mim. A paisagem, não. O cais era inevitável no caminho da praia, quando ainda não havia tubarões e a gente passava uma manhã inteira de sábado entrando e saindo da água. Na volta pra casa, era lá pelo cais que começava a disputa da família pela ocupação do banheiro, pois urgia tirar aquele sal do corpo (naquele tempo havia mais sal no mar). O cais era feio, abandonado até, mas era. Mais.

Neste domingo, no #ocupeestelita, exposição Invisibilidades da Copa em Pernambuco
Neste domingo, quem for ao Cais José Estelita terá a oportunidade de acompanhar uma mini-exposição com 28 imagens dos fotógrafos Anderson Freire e João Velozo e do jornalista Eduardo Amorim, que abordam o drama dos removidos para as obras da Copa do Mundo na Região Metropolitana do Recife. Mais.

A cidade tem afetos e pertencimentos
Há uma busca pela acumulação de grana que desfaz a história e inquieta. Não há transparência e existem articulações frequentes de projetos individualistas com o poder público. As promessas são muitas e almejam significar compromissos para construção do novo. A velha questão da modernidade volta ao debate e as máscaras do progresso disfarçam discursos. A cidade sofre ataques constantes da especulação imobiliária que deixam desconfianças permanentes. Os investidores ganham , muitas vezes, com seus ares de seguidores de filantropias que mudarão o chamado atraso urbano. Mais. 

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