O capitalismo é um objeto de alta abstração; o comum é uma força de abstração maior #commons #capitalism

Vou começar hoje a reproduzir um recente trabalho feito pela turma da Universidade Nômade: a tradução das Sete Teses sobre marxismo e aceleracionismo de Mateo Pasquinelli. A tradução foi feita por Aukai Leisner e todo o conjunto da obra pode ser encontrada aqui.

Tese 1. O capitalismo é um objeto de alta abstração; o comum é uma força de abstração maior.

A noção marxiana de trabalho abstrato identificou o mecanismo profundo do capitalismo, isto é, a transformação do trabalho em equivalente geral. Mais adiante, Sohn-Rethel (1978) enxergou a relação estreita entre a abstração da linguagem, a abstração do mercadoria e a abstração do dinheiro.

Na introdução dos Grundrisse, Marx (1867) explica a abstração como a metodologia que aparecerá dez anos mais tarde no Capital (1867). Em Marx, o concreto é um resultado, o produto do processo de abstração: a realidade capitalista e, especificamente, a realidade revolucionária, é uma invenção: “O concreto é concreto porque concentra muitas determinações, daí a unidade do diverso. Ele aparece no processo do pensamento, portanto, como um processo de concentração, como um resultado, não como ponto de partida, mesmo que seja o ponto de partida na realidade e, portanto, também o ponto de partida da observação e concepção”. (Marx 1857 : 101).

A abstração é ao mesmo tempo a tendência do capital e o método do marxismo. Então o marxismo autonomista tomou posse da abstração e “bordou-a de novo no macacão do operário”: a abstração como o movimento do capital, mas também como o movimento de resistência a ele. Negri (1979: 66) particularmente colocou a abstração no centro do método da tendência antagonista, como um processo de conhecimento coletivo: “o processo de determinação abstrata está dado inteiramente nessa iluminação proletária coletiva: é portanto um elemento de crítica e uma forma de luta”. A idéia do comum nasceu como um projeto epistêmico.

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