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04.05.2015 – o dia em que a prefeitura do #Hellcife perdeu. #OcupeEstelita

A quem interessa uma cidade que emerge da ilegalidade, da promiscuidade entre o Poder Público e o capital privado? Que é filha do despotismo institucional, da violência física e simbólica… Quem serão seus moradores? Por quais nomes atenderão? Essa cidade que nasce patrimonialista, deselegante, careta, quente e fria aponta para que horizonte? A constrangedora aprovação da ilegalidade realizada por 23 vereadores na Câmara da cidade neste 04.05.2015 é um índice da violência determinada com a qual uma geração de jovens técnicos e políticos operará a edificação de uma cidade vazia. A sem-vergonhice com a qual essa operação está sendo conduzida indica, por outro lado, a certeza da impunidade de uma série de crimes cometidos contra a legislação, a população e seus interesses e contra o futuro.

Não há futuro viável para uma cidade guiada pela especulação – seja de que ordem for. Saímos perdendo todos. O problema é que os malditos que operam o roubo da cidade atual para a construção dessa monstruosidade em curso não se importam. Não se importam com o legado da desordem e do caos, da violência e da exclusão com a qual essa nova cidade está sendo adornada no berço.

Os malditos não se importam com o futuro, nem com o passado, pois vivem no tempo.

Os malditos não se importam (nem querem, nem precisam) da Política: eles são a nova política, uma narrativa da desnecessidade do (interesse) público. Por isso a farsa do debate, a farsa da votação, a farsa da Lei.

Os malditos têm pressa: o preço para serem eleitos foi pago e agora quem pagou quer receber. Por isso o trator que não respeita as instâncias do debate, os trâmites legais, o raciocínio urbanístico, o interesse público.

Essa nova cidade e sua ponta de lança nasce enlameada e comprometida eticamente.

“Chegado o tempo de partir espelhos, todos os caminhos se bifurcam”. Para um lado estamos indo nós, da sociedade civil – até onde consigo ver, mais articulados e com mais potência; para outro esse Estado medíocre, intolerante e capturado.

Hoje a prefeitura perdeu, embora tenha aprovado a Legislação que as empreiteiras precisavam. Venceu num tapetão vergonhoso porque seu time é mais fraco, inabilidoso, mal treinado, mal vestido: ilegal, promíscuo, despótico e violento.