Monthly Archives: julho 2014

Especulação imobiliária agora ataca grandes áreas

A estratégia de apropriação e restrição do uso público colocado em prática pelas construtoras e incorporadoras mudou. É o que nos mostra nessa entrevista o professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano, Tomás Lapa. O professor alerta que agora o interesse é por grandes glebas, estratégia que é acolhida por uma legislação desatualizada.

 

 

Pesquisas condenam Projeto Novo Recife

 

Luiz Carlos Pinto
lula_pinto@riseup.net

Afora os questionamentos legais e éticos do Projeto Novo Recife, pouca gente tem dado atenção aos estudos sobre os impactos do empreendimento. Ao menos duas pesquisas, concluidas e publicadas no primeiro semestre deste ano, confirmam o prejuízo ambiental, urbanístico e cultural que o empreendimento pode causar à capital de Pernambuco. Em ambos os estudos – uma dissertação de mestrado e uma tese de doutorado – se verifica que a intervenção pretendida pelo Consórcio Novo Recife é prejudicial aos moradores. Os estudos prevêem aumento da temperatura do centro, acúmulo de partículas poluentes, além da perda de ventilação imposta pela altura das 12 torres de até 40 andares previstas, limitação da mobilidade urbana no centro, restrição do acesso à paisagem e apagamento de elementos históricos do perfil da cidade.

A pesquisa intitulada “Influência da forma urbana na ventilação natural: um estudo de caso no Cais José Estelita, Recife”, defendida em maio deste ano Joana Pack Souza, teve como objetivo principal analisar as modificações que ocorrem na ventilação natural a partir da alteração da forma urbana. O trabalho considerou especificamente as implicações do adensamento construtivo sobre a ventilação urbana no bairro de São José (Recife), onde está localizado o Cais José Estelita.

Com base em seis modelos de ocupação urbana do Cais, a pesquisadora concluiu, principalmente, que os edifícios-garagem formam uma grande barreira contínua ao nível do pedestre, reduzindo a taxa de renovação do ar e criando, consequentemente, um calor excessivo e um grande acúmulo de fragmentos poluidores. Ou seja, gera-se mais calor num ar mais poluído. Além disso, a grande barreira construída faz com que o vento seja canalizado para as ruas transversais. Por conta disso, nessas áreas, o pedestre se submetido a ruas desaconfortáveis – não porque o calçamento está esburacado. É que o vento nessas ruas será muito forte, além do que já verificado em ruas contíguas dos pontos mais adensados do bairro de Boa Viagem, por exemplo.

Para chegar a esses resultados, a pesquisa passou por duas etapas. Primeiramente, foi feito um estudo bibliográfico sobre urbanismo bioclimático, sustentabilidade, forma urbana e ventilação natural no meio urbano. Em seguida, foi executada uma pesquisa experimental com simulação computacional dos seis modelos de ocupação urbana do Cais José Estelita para entender quais seriam os mais propícios e benéficos ao conforto térmico e à ventilação da cidade. Esses modelos apresentaram variação dos afastamentos e da altura dos edifícios. No modelo que permite melhor temperatura e ventilação, os prédios são mais afastados um do outro. Além disso, a simulação indica ainda a necessidade de afastamentos verticais, ou seja, com pilotis e pavimentos vazados.

BrasadaORLA2

Continue reading…

#OcupeEstelita realiza mais um aulão no Sábado

 

O Movimento #OcupeEstelita realiza na tarde desse sábado, 26 de Julho, mais um Aulão para debater aspectos do planejamento urbano na cidade do Recife. As atividades acontecem a partir das 17 horas no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem. Além da roda de conversas com especialistas, a programação também inclui atividades lúdicas e recreativas para crianças. O objetivo do evento é esclarecer, informar e discutir as razões pelas quais a cidade vem se transformando, paralisada por um trânsito caótico e sufocada por torres que impedem a ventilação.

O ponto de partida dessa discussão é o Projeto Novo Recife, que pretende edificar 12 torres de até 40 andares no Cais José Estelita. O empreendimento contraria as leis vigentes e a vocação do espaço, que deveria ser utilizado por toda a cidade – como é o caso de lugares como o próprio parque Dona Lindu, a praça da Jaqueira e o 13 de Maio.

Esse não é o primeiro evento do gênero organizado pelo Movimento #OcupeEstelita. Diversas outras aulas públicas fora realizadas no terreno ocupado pelo Movimento, no Centro de Artes e Comunicação e no Centro de Ciências Biológicas (UFPE) e também no Parque da Jaqueira. É uma oportunidade para se informar sobre os malefícios do Projeto Novo Recife: maior trânsito e aumento da temperatura no centro da cidade, impedimento da ventilação, além do prejuízo ao acervo arquitetônico existente no Bairro de São José.

Mas o aulão também é uma oportunidade para se informar de diversos outros aspectos da cidade do Recife e do atual processo em curso, que inclui a descaracterização de seu traçado arquitetônico e cultural. São vários os especialistas, pesquisadores e professores universitários envolvidos na mobilização, que pretende barrar o Projeto Novo Recife como ele é hoje e também com a missão de informar a população. Até agora mais de 200 professores da UFPE e da UNICAP assinaram abaixo-assinado em que apoiam o Movimento #OcupeEstelita. Esse apoio massivo também pôde ser verificado no primeiro aulão realizado depois da ocupação do Cais José Estelita, quando 58 docentes estiveram presentes.

 

SERVIÇO

Aulão do Movimento #OcupeEstelita

Praça Dona Lindu, Boa Viagem

Dia 26 de Julho

17 h

 

Para obter mais informações sobre o Movimento #OcupeEstelita e suas motivações acesse:

www.ocupeestelita.com.br

facebool/direitosurbanos

facebook/ocupeestelita

 

ou siga nossas hashtags nas redes sociais

#MOVIMENTODIREITOSURBANOS

#OCUPEESTELITA

#RESISTEESTELITA